Fosfatos no lago: por que razão o fósforo alimenta as algas e como reduzi-los de forma duradoura
Tem uma boa bomba, um filtro adequado, uma lâmpada UV nova e, no entanto, as algas filamentosas regressam todas as primaveras. Na grande maioria dos casos, o culpado não é visível: está dissolvido na água. O fósforo é o elemento que, na maioria das vezes, determina a quantidade de algas que um lago pode produzir. Compreender de onde vem é compreender por que razão alguns lagos permanecem límpidos sem esforço e outros nunca.
— A resposta curta
Na água doce, o fósforo é geralmente o nutriente mais escasso para as algas: assim que se adiciona mais, elas multiplicam-se. Entra no lago através do alimento para peixes, das folhas mortas, da terra, dos fertilizantes do jardim e, por vezes, da água da torneira, acumulando-se depois na lama. Para o reduzir de forma duradoura: alimentar menos e melhor, retirar a lama e os detritos, deixar que as plantas o absorvam, oxigenar o fundo e, se necessário, fixá-lo com um produto antifosfatos.

Porquê o fósforo e não o azoto?
Para crescer, uma alga precisa de luz, carbono, azoto, fósforo e uma série de oligoelementos. O seu crescimento é limitado pelo ingrediente menos disponível, tal como acontece com um pedreiro a quem falta apenas um material. Na maioria das águas doces, esse ingrediente em falta é o fósforo. As experiências realizadas em lagos inteiros pelo limnologista canadiano David Schindler, na década de 1970, demonstraram-no de forma espetacular: metade de um lago enriquecida com fósforo tornou-se verde; a outra metade, que recebia apenas azoto e carbono, manteve-se límpida.
Um lago de jardim funciona da mesma forma, mas em muito menor escala e, por isso, muito mais depressa. Já alguns centésimos de miligrama de fosfato por litro são suficientes para alimentar um belo crescimento de algas filamentosas. Pelo contrário, um lago pobre em fósforo mantém-se límpido mesmo em pleno sol.
De onde vem o fósforo do seu lago?
| Fonte | O que acontece | Solução |
|---|---|---|
| Alimento para peixes | Cada granulado contém fósforo, em grande parte libertado na água | Dosar de acordo com a temperatura, alimento de qualidade bem digerido |
| Folhas e detritos | Decompõem-se no fundo e libertam os seus nutrientes | Rede no outono, camaroeiro, aspirador |
| Terra e fertilizantes | Escorrência do relvado, terra de jardim nos cestos | Margem elevada, substrato especial para lagos |
| Água de reposição | Algumas águas de abastecimento contêm fosfatos | Testar a água da torneira, dar preferência à água da chuva |
| A lama | Reservatório interno que liberta fósforo quando falta oxigénio no fundo | Retirar a lama, oxigenar o fundo |
A lama, essa reserva escondida
É o ponto que mais frequentemente se esquece. O fósforo não desaparece: acumula-se. Grande parte liga-se às partículas e deposita-se no fundo, onde parece inofensivo. Mas quando começa a faltar oxigénio junto ao fundo, sobretudo no verão, em dias quentes e com trovoadas, as ligações químicas que o retinham desfazem-se e o fósforo regressa à água. Os limnologistas chamam a isto carga interna. É por isso que um lago pode continuar verde durante anos depois de se corrigir a alimentação: alimenta-se do seu próprio fundo.
Uma boa oxigenação e a remoção regular da lama interrompem este ciclo. Bactérias especializadas também ajudam a digerir a matéria orgânica acumulada.
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Medir antes de agir
Um teste de fosfatos em gotas ou em tiras custa pouco e evita tratar às cegas. Teste a água do lago, mas também a água que utiliza para as reposições: se já contiver fosfatos, cada reposição volta a estimular as algas. Como referência, procure obter um valor tão baixo quanto possível; acima de 0,1 mg/l de fosfato, as algas têm condições para se desenvolver amplamente. Tenha em conta que um resultado baixo nem sempre é tranquilizador: num lago muito verde, o fósforo já está armazenado nas próprias algas e já não está dissolvido na água.
Seis medidas para reduzir o fósforo de forma duradoura
- Alimentar menos e melhor: uma quantidade adequada à temperatura da água, consumida em poucos minutos, e um alimento fácil de digerir, que deixe menos resíduos.
- Impedir a entrada de detritos: use uma rede de proteção no outono e recolha as folhas antes de afundarem.
- Retirar a lama uma a duas vezes por ano, com um aspirador de lago ou com um camaroeiro.
- Apostar nas plantas: absorvem o fósforo para crescer. Pode-as e retire os resíduos da poda do lago; caso contrário, o fósforo volta para a água.
- Oxigenar o fundo para impedir a libertação de fósforo a partir da lama.
- Fixar o fósforo com um produto antifosfatos quando as outras medidas já não são suficientes ou para ultrapassar um patamar.
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Os erros que mantêm o problema
- Utilizar um fertilizante de jardim comum para plantas aquáticas, em vez de um fertilizante em pastilhas enterrado no substrato.
- Plantar em terra de jardim rica, que liberta os seus nutrientes na água.
- Deixar as algas arrancadas ou os resíduos da poda na margem, onde a chuva os leva de volta à água.
- Esvaziar e limpar todo o lago a fundo: perdem-se as bactérias úteis, e a água nova pode, por si só, trazer fosfatos.
- Contar apenas com a lâmpada UV: atua sobre as algas em suspensão, não sobre as filamentosas, e não remove fósforo.
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Perguntas frequentes
— Qual é o nível de fosfato aceitável num lago?
O mais baixo possível. Na prática, um valor inferior a 0,1 mg/l de fosfato limita fortemente as algas; acima desse valor, têm condições para proliferar.
— Um produto antifosfatos é perigoso para os peixes?
Os produtos concebidos para lagos podem ser utilizados na presença de peixes quando são doseados de acordo com o volume real de água. Respeite sempre as instruções.
— É necessário mudar a água para reduzir os fosfatos?
Só se a água de reposição contiver menos fósforo do que a água do lago. Teste-a primeiro: uma água da torneira carregada de fosfatos agrava a situação.
— As plantas são suficientes para eliminar o fósforo?
Contribuem muito, desde que sejam numerosas e podadas regularmente. Num lago muito povoado por peixes, precisam do apoio das outras medidas.
Em resumo
- O fósforo é o nutriente que mais frequentemente limita o crescimento das algas em água doce.
- Provém sobretudo da alimentação, dos detritos, da terra, dos fertilizantes e, por vezes, da água da torneira.
- Acumula-se na lama, que o liberta quando o fundo fica sem oxigénio.
- Alimentar menos, retirar a lama, plantar, oxigenar e fixar: é a combinação que funciona.
Fontes e referências
- Schindler D.W., « Evolution of phosphorus limitation in lakes », Science 195, 1977
- Wetzel R.G., Limnology: Lake and River Ecosystems, 3.ª edição, Academic Press, 2001
- Experiência de consultoria Aquiflor / Foudebassin, Nodebais (Bélgica)
Última atualização: 28 de setembro de 2026.
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